LIBERADOS PARA AMAR

Laís Bertoche






A Ah! O amor! Todos queremos amar e, principalmente, sermos amados. Mas sabemos o que é o amor?

O amor é o divino poder de atração pre-sente na criação que harmoniza, vincula e une. O mundo físico se mantém como o conhecemos pela força atrativa do amor, que une cada partícula atômica, mantendo-as vinculadas e em harmonia.

O amor está em tudo. Pode ser observado no cuidado instintivo dos animais com seus filhotes e no sofrimento que demonstram quando morre um de seus pares. Entre os humanos, o amor se expressa de forma consciente e responsável. Ou pelo menos assim deveria ser...

Num poema de Gibran Khalil Gibran, o Profeta afirma que o amor nos conduz ao conhecimento de quem somos, expondo os segredos de nossos corações e nos conver-tendo no pão místico do banquete divino. Através do amor, crescemos e podamos nossas imperfeições. Por isso ele sugere que ao sentir o amor, ao invés de dizer “Deus está no meu coração”, digamos “eu estou no coração de Deus”.

AS VÁRIAS FORMAS DE AMAR

O amor não dá senão de si próprio e nada recebe senão de si mesmo; não possui nem se deixa possuir. O amor vai sendo cultivado, crescendo e se fortalecendo à medida que avançamos no viver, nas muitas vidas da alma: nas relações de par, na família, nas relações sociais, nas comunidades religiosas, nos negócios, nas guerras... Para além dos encontros casuais, os relacionamentos trazem uma longa história de afeição, desejos, magoas e ressentimentos. Alguns encontros duram pouco tempo.

Outros persistem e resistem há centenas, até milhares de anos, viajando por muitas histórias, onde os personagens desempenham papeis diversos, auxiliando-se mutu-amente, aprimorando virtudes, aplainando arestas, aprofundando afetos e desejos, desafetos e aversões.

Os laços do passado nos permitem reconhecer as pessoas, dando-nos conta de simpatias e antipatias instantâneas. Esses laços reforçam vínculos e tecem as diversas relações que experimentamos: o amor entre pais e filhos, o conjugal, o que vincula o empregador e o empregado, a amizade e o amor entre o mestre e seu discípulo...


O PRIMEIRO AMOR: PAIS E FILHOS

Aqui o amor se inicia com o fato de os pais darem a vida e os filhos a receberem. Isso é o que há de mais valioso: a oportunidade de viver. Ao receber a vida, o filho a aceita, e faz de seus pais os únicos possíveis para ele. Por isso, não importa quem eles sejam ou o que possam ter feito: esta é a sua oportunidade de existir no mundo.



 

 



Qualquer outra coisa que necessite para manter sua vida poderá ser dado por outra pessoa. Mas a vida, não: ela vem exclusivamente por meio da mãe e do pai. Bert Hellinger lembra que o amor floresce quando os filhos valorizam a vida que obtiveram, quando aceitam os pais como pais, do jeito que são.

PARA O AMOR CONJUGAL DAR CERTO

Quando pediram que falasse sobre o casamento, o Profeta afirmou que o casal nasceu junto, e que devem permanecer assim até o fim de seus dias e depois, na memória silenciosa de Deus.

A certeza desse compromisso dá força para que os dois prossigam juntos, superando as dificuldades das escolhas e as inevitáveis frustrações. Mas o amor não deve ser uma prisão. Há de ter espaço para que os ventos celestiais posam dançar entre os dois.

E que cada um possa ter momentos de solidão. Que dividam o pão, mas que não comam do mesmo pedaço, conservando assim sua individualidade. Que estejam juntos, mas não demasiadamente, pois um cipreste não cresce à sombra do outro, lembra o Profeta.

Identificamos duas pessoas enamoradas quando sentem uma atração incondicional mútua e se sentem dispostas a sacrificar-se uma pela outra. O amor que se manifesta numa constante consideração em favor da verdadeira felicidade do outro acaba por converter-se em amor divino e convida Deus a estar presente.

O LAÇO QUE UNE NO TRABALHO

O laço que une um empregador e o empregado se baseia no benefício mutuo. Quanto mais dinheiro e amabilidade ofereça o chefe, mais amor lhe será oferecido pelo empregado; quanto mais valiosa for a contribuição deste, maior será a consideração do empregador.

A AMIZADE É DIVINA

A amizade entre amigos é uma forma ele-vada de amor humano, pois ninguém espera nada em troca. Trata-se de uma escolha livre e certamente cultivada há muitas vidas. Desejar que seu amigo progrida em todos os sentidos em sua vida, inclusive espiritualmente, e experimentar um senti-mento de alegria genuíno com seu sucesso é o início do desenvolvimento do amor divino. Este amor é cultivado numa verdadeira amizade.

O AMOR MESTRE-DISCIPULO

Trata-se da expressão da amizade divina incondicional, baseada no objetivo compartilhado e singular: o desejo de amar a Deus acima de todas as coisas. O mestre está ali para ajudar seu discípulo a encontrá-Lo.

IDENTIFICAÇÃO COM O PASSADO

Nas várias formas de expressar e sentir o amor, uma identificação com memórias da família de origem ou de vidas passadas pode produzir um emaranhamento afetivo e um aprisionamento no passado, impedindo o fluxo amoroso entre as pessoas.

Uma abordagem fenomenológica como a Terapia Transgeracional visa a identificar, entender e liberar esses bloqueios experimentados pelo casal, pela família, no trabalho e entre os amigos, liberando as pessoas para viverem o presente, comprometendo-se harmoniosamente com o crescimento mutuo, num fluxo amoroso entre o dar e receber.




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