CASOS CLÍNICOS

Tempos de reencontro

Dra. Lais de Siqueira Bertoche

Um evento como a Olimpíada celebra a paz, a harmonia e a amizade entre os povos. Pessoas de todo o mundo têm a oportunidade de conhecer – ou reencontrar – amores desta e de outra vida, num clima de festa e boa vontade, em que a determinação, a coragem e a superação de si mesmo revelam as boas qualidades da Alma imortal.

Vanessa estava muito feliz. Havia conhecido Philippo, grande empresário, que viajara ao Brasil para a Copa do Mundo.

Foi amor à primeira vista. Parecia até que já se conheciam há muito tempo, tamanha a afinidade: horas conversando, mesmos gostos, mesmos pensamentos. Poucas horas e um completava a frase do outro. Muitos interesses em comum, inclusive o amor pelos animais, especialmente pelos cavalos.

- Amantes do passado se revelam dessa forma: muitas afinidades, mas também todo o sofrimento de outras épocas. Emmanuel diz que reencontramos o outro no ponto em que o deixamos.

Tudo ía bem... até que, no meio do mercado, Vanessa se depara com Anderson, amigo dos tempos de faculdade, agora bem casado, pai de duas filhinhas. Há muito tempo não se viam e comemoraram o encontro, falando da alegria da vida em família e de como o casal estava feliz. Mas para o namorado, foi demais. Philippo perde o controle e se revela um homem ciumento e desconfiado.

Começou a procurar provas no celular, no e-mail, na vida da moça. Começaram as brigas, os desentendimentos, os gritos. Ele recordava a animação da conversa e nenhum argumento desviava sua mente: era óbvio que ali estava havendo uma traição.

Vanessa, até então alegre, independente e cheia de vida, aos poucos, foi-se tornando arredia, triste e indiferente. Ele, homem bom e amoroso, começou a ficar cada vez mais inseguro: o que acontecia com a mulher? Será que não o amava mais? E quanto mais imaginava isso, maior o ciúme e a raiva. Sua mente delirava e qualquer olhar, qualquer comentário que ela fizesse, imagens terríveis vinham à sua cabeça.

Apesar do amor, ambos desejaram que tudo acabasse. Mas o que era aquilo? O que os tinha transformado?

 

Decidiram procurar minha ajuda e optamos por realizar uma Constelação Transgeracional com o objetivo de reordenar a vida dos dois. Surge uma vida passada, em que o homem é um jovem guerreiro, que lutava para ter a mão da bela Kelly (hoje Vanessa), jovem filha do senhor da região. Mas surge Heitor (o amigo atual), homem já maduro e dono das terras da outra margem do rio, que promete ampliar as posses da família, caso a moça se casasse com ele, o que, de pronto, foi aceito pelo pai. Surge uma disputa entre os dois homens – culminando com a morte do inexperiente jovem.

Mas a vida continua. Kelly e Heitor se casam, mas o moço, inconformado, continua, agora sem o corpo físico, a rondar o casal. Raiva e agressões constantes fazem da vida um inferno. Não por dificuldades entre os dois, mas pela presença do personagem intruso, que não se afasta deles por nada.

Essa abordagem terapêutica possibilita aos três personagens do passado compreender como a sociedade daquela época se estruturava: seus costumes, suas crenças... Além de dar oportunidade a cada um para observar e responsabilizar-se por suas atitudes, libertando os personagens do passado para seguir para o mundo espiritual.

Buscando a maior harmonia possível, a Terapia Transgeracional possibilita que a pessoa seja ela mesma. O casal pode então retomar sua vida e seu bom relacionamento, livres das memórias do passado.

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